Galeria de Arte
X

A mostra, com obras de Carlos Vergara, Moisés Patrício e Rafael RG, aborda uma das questões mais contundentes que a sociedade brasileira precisa enfrentar para se desenvolver de forma justa e digna: o racismo direcionado aos negros.

Em um contexto de "racismo estrutural e instituciona-lizado", conforme a definição da ONU em relatório de 2014 sobre a discriminação racial no país, X apresenta-se como uma resposta à onda conserva-dora que toma conta do debate público nacional.

Além disso, busca estabelecer um espaço de reflexão crítica sobre o problema, tomando como eixo central para o seu combate um diálogo com as reflexões e expressões desenvolvidas pelo povo negro. Essa interlocução observa os lugares de fala dos envolvidos como forma de perceber problemas e privilégios presentes no racismo estrutural e institucionalizado.

O X é o fator indeterminado, a incógnita que precisa-mos solucionar para seguirmos adiante como socieda-de. O X do ativista Malcolm, marcado para morrer como muito jovens negros nesse país. O X da encruzilhada, o espaço mágico da religiosidade afro.

Leo Felipe e Luisa Duarte
Curadores

NOTA PÚBLICA
Repúdio à sanção
do Governo para
extinção das
fundações estaduais

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Exposição X
Artistas: Carlos Vergara, Moisés Patrício e Rafael RG
Onde: Galeria Ecarta (Av. João Pessoa, 943, Porto Alegre)
Abertura: 19 de setembro, sábado, às 17h
Visitação: até 15 de novembro, de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h
Informações: (51) 4009-2971 e www.ecarta.org.br
Entrada franca

Poder | Autor: Carlos Vergara Poder, de Carlos Vergara.
Imagem extraída da famosa série de registros do Carnaval carioca que Vergara realizou entre 1972-1976 com blocos que desfilavam no centro do Rio, entre eles, o Cacique de Ramos.
Fotos da série Aceita?, de Moisés Patrício. Fotos da série Aceita?, de Moisés Patrício.
Há quase dois anos, ele publica por dia uma “selfie” de sua mão direita no Instagram como parte de um projeto que questiona o racismo e a intolerância religiosa.
Detalhes de Monos, de Rafael RG. Detalhes de Monos, de Rafael RG.
Monos faz parte da série Arquivo Mestiço e é constituído de dois recortes de jornal de época. O primeiro é a matéria “Monos en Buenos Aires”, retirada de periódico argentino “Crítica”, sobre uma partida de futebol a ser realizada na capital Argentina e a seleção brasileira é retratada (através de uma ilustração) como de macacos. A primeira frase da publicação é a seguinte: “Já chegaram em terras portenhas os macaquinhos do Brasil”. Semanas depois, o escritor brasileiro Lima Barreto publicou uma resposta ao artigo na revista “Careta”. Ele explorou o uso do termo “macaco” e de como se sente orgulhoso em pertencer a uma nação cujo animal que a representa é o macaco. Ambos os textos foram publicados em 1920.

Inauguração da Mostra X


PROGRAMAÇÃO PARALELA

Visita guiada aos Territórios Negros de Porto Alegre
Integrando a programação de X, no sábado, dia 19 de setembro, às 14h, o ônibus do projeto Territórios Negros realizará o seu roteiro por áreas ligadas à cultura e à história dos afro-brasileiros em Porto Alegre, com a presença dos curadores da mostra. Há uma rica história construída pelos negros em nossa cidade que muita gente desconhece. A Galeria Ecarta fica em frente aos Campos da Redenção, local que há 80 anos teve seu nome branqueado para Parque Farroupilha. Acesse mais informações sobre o projeto Territórios Negros

     


Biblioteca temática
Durante o período da mostra, trabalhos de referência sobre escravidão, racismo, colonialismo e cultura afro-brasileira estarão disponíveis para consultas. Entre os autores e pensadores, nomes como:

Frantz Omar Fanon (1925-1961), psiquiatra e ensaísta francês da Martinica, de ascendência francesa e africana. Obras: Os condenados da terra, Pele negra, Máscaras brancas.
Nei Lopes (1942 -), compositor e intérprete de música popular, escritor e estudioso das culturas africanas, no continente de origem e na Diáspora. Dentre suas obras: Esta árvore dourada que supomos; Dicionário da Antiguidade Africana; Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana; Oiobomé, a Epopéia de Uma Nação; História e Cultura Africana e Afro-brasileira; Vinte contos e uns trocados, Partido-alto, samba de bamba (Pallas, 2005).
Chimamanda Ngozi Adichie (1977 -), uma das mais importantes jovens autoras anglófonas. Nasceu em Abba (Anambra), mas cresceu na cidade universitária de Nsukka, no sudeste da Nigéria. Quando completou dezenove anos, mudou-se para os Estados Unidos. Fez mestrado de estudos africanos na Universidade Yale. Obras: Purple Hibiscus (Hibiscos rosas) e Half of a Yellow Sun (Meio sol amarelo).
Kabengele Munanga (1942 -), antropólogo e professor congolês. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, onde é professor titular. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: racismo, identidade, identidade negra, África e Brasil. Dentre suas obras, Origens africanas do Brasil contemporâneo: Histórias, línguas, culturas e civilizações, Negritude - Usos e sentidos, Para entender o negro no Brasil de hoje: história, realidades, problemas e caminhos, Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Identidade Nacional versus Identidade Negra, Cem anos de bibliografia sobre o negro no Brasil.
Carolina de Jesus (1914 - 1977), mineira. Seu diário publicado em 1960, Quarto de despejo, se esgotou em uma semana. Foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Em seguida, publicou Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de fome (1963), Provérbios (1963). Após sua morte, foram publicados Diário de Bitita (1982), Meu estranho diário (1996), Antologia pessoal (1996), Onde Estaes Felicidade (2014).
Oliveira Silveira  (1941 - 2009), poeta brasileiro. Graduado em Letras pela Ufrgs, foi militante do Movimento Negro em Porto Alegre e um dos fundadores do Grupo Palmares, sendo um dos líderes da campanha pelo reconhecimento do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro. Obras: Geminou (1962), Poemas Regionais (1968), Banzo Saudade Negra (1970), Décima do Negro Peão (1974), Praça da Palavra (1970), Pelo Escuro (1977).

Primeiro encontro: 10/10 | 16h | Entrada franca.

Roda de Conversa
Com a participação de grupos de ativistas, artistas e pesquisadores. Esses encontros visam tornar públicas as recentes discussões sobre as implicações históricas, políticas e sociais do racismo, bem como as formas de combatê-lo, um debate geralmente restrito às esferas da Academia ou da militância política. Compreender o racismo exige a problematização da branquidade, a qual sustenta a consciência dos sujeitos que compõem a sociedade e, por vezes, mesmo que inconscientemente, se beneficiam de privilégios que corroboram com a manutenção da ideia de raça e, consequentemente, do racismo.
Coordenação: Fernanda Oliveira, doutoranda em História e responsável pela consultoria na elaboração do referencial bibliográfico da exposição. Leia o artigo Racismo-Branquidade: o X da questão, de Fernanda Oliveira, publicado na edição de setembro do jornal Extra Classe

Segundo encontro: 28/10 | às 17h | Entrada franca.
Participação do artista Moisés Patrício, que fará um saravá na Galeria, evocando as forças mágicas dos Orixás.

Programação com apoio da Galeria Ecarta:

Cineclube Especial Carolina de Jesus, dia 23 de outubro
Exibições de filmes e debates sobre a vida e a obra da escritora Carolina Maria de Jesus. Estarão presentes os autores do livro Carolinas (AfroeducAÇÃO, 2014), Diego Balbino e Paola Prandini. Serão apresentados os curtas Favela: a vida na pobreza, de Christa Gottmann (Alemanha, 1971, 19min) e Vidas de Carolina, de Jéssica Queiroz (Brasil, 2014, 10min).
Local: Afrosul Odomodê (Av. Ipiranga, 3850), às 19h30, Ingresso: R$ 5.

Sarau Sopapo Poético, dia 27 de outubro, às 19h
Tradicional encontro de arte negra promovido em Porto Alegre pela Associação Negra de Cultura (ANdC) − sempre na última terça-feira do mês. Para esta edição, a Galeria Ecarta trará o artista Moisés Patrício, que comentará sobre a série Aceita? (que integra a mostra X) e apresentará a performance Preto Patrício.
Local: Instituto de Educação Flores da Cunha (na Av. Osvaldo Aranha, 527)
Entrada franca.
Estacionamento para o público, com entrada pelos fundos da escola (acesso pela Av. Setembrina).
Obs. Mais sobre o Sopapo Poético em http://sopapopoetico.blogspot.com.br

DOAÇÃO
Livros da mostra X vão para ponto de cultura

A Galeria Ecarta doará cerca de 40 livros, todos eles sobre temas relacionados à cultura afro-brasileira, para o Ponto de Cultura Espaço Escola Áfricanamente. A doação será na quinta, dia 7 de janeiro, às 19h. Na ocasião ocorrerá também a tradicional Roda de Capoeira semanal promovida pelo Áfricanamente. Os livros fizeram parte da fortuna crítica montada para a exposição “X”, que esteve em cartaz na Galeria Ecarta, entre setembro e novembro de 2015. Com trabalhos de Carlos Vergara, Moisés Patrício e Rafael RG, a exposição tratou do problema do racismo contra negros na sociedade brasileira e contou com extensa programação de atividades. Os títulos em sua maioria foram sugeridos pela historiadora Fernanda Oliveira em discussão com o curador do projeto, o diretor da Galeria Ecarta, Leo Felipe, e formam um panorama crítico sobre temas relacionados à cultura e história do povo negro no Brasil e no Rio Grande do Sul, tais quais, racismo, diáspora africana, colonialismo, feminismo negro, funk e candomblé. A doação inclui obras de autores como bell hooks, Carolina de Jesus, Chimamanda Ngozi Adichie, Florestan Fernandes, Franz Fanon, Nei Lopes e Oliveira Silveira.

Sobre o Africanamente
O Ponto de Cultura Espaço Escola Áfricanamente é uma proposta da Oscip Africanamente - Centro de Pesquisa, Resgate e Preservação das Tradições Afrodescendentes que, em parceria com a Escola de Capoeira Angola estabelece a proposta de Ponto de Cultura. O Ponto foi selecionado em 2013 quando no edital promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do RS / Ministério da Cultura, pudemos ter como objetivo potencializar e ampliar o alcance das ações já desenvolvidas pelo nosso coletivo Africanamente, possibilitando a realização de atividades que envolvam a comunidade a partir da arte, cultura e educação, estimulando a criatividade e propiciando o exercício da cidadania pelo reconhecimento da importância das culturas de matriz africana preservadas ou ressignificadas no Brasil. O Ponto de Cultura Espaço Escola Áfricanamente tem a data de fundação em Primeiro de Maio de 2014, e é um espaço dedicado a realização de encontros, palestras, seminários, oficinas, exibição de vídeos e intercâmbios culturais.

Mas como seu nome diz, além de ter a missão de ampliar neste estado o conhecimento sobre as tradições afrodescendentes, também se faz necessários que nestes encontros se propicie a crítica à todas as formas de opressão: racismo, maxismo e todas as intolerâncias correlatas e, através de seus projetos, tenta de formas diferenciadas chegar neste objetivo com a população protoalegrense e gaúcha. Cine-debate, show musicais, biblioteca especializada em temas afrocentrados são projetos importantes para o Ponto de Cultura. A biblioteca ainda em formação já tem 200 exemplares de livros que no ano de 2016 estarão à disposição da comunidade em geral para consulta e empréstimo.


Ponto de Cultura Espaço Escola Áfricanamente
Av. Cristóvão Colombo, 761 - Floresta, Porto Alegre - RS, 90560-000
55 51 9630-2807
http://www.pontodeculturaafricanamente.blogspot.com

 Apoio:
Província Província Província Gráfica e Editora Relâmpago
TORRE DE PIZZA

Fundação Cultural e Assistencial ECARTA
Av. João Pessoa, 943 - Porto Alegre - RS - Brasil - Fone: 51-4009.2970
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