DOIS ARTISTAS EM SINTONIAs DIACRÔNICAs
CURADORIA BLANCA BRITES
Dois artistas em sintonias diacrônicas
*BLANCA BRITES

Alfredo Nicolaiewsky e Mário Röhnelt artistas formados no domínio do desenho e da pintura, atualmente investem na tecnologia digital com a qual geram imagens que propiciam situações específicas de tempo e espaço.
A visitação ocorreu até 27 de novembro de 2005
Local: Fundação Ecarta
Av. João Pessoa, 943 – Porto Alegre - RS
NOTA PÚBLICA
Repúdio à sanção
do Governo para
extinção das
fundações estaduais

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Em seu trabalho Mario Röhnelt, utilizando recurso digital, partiu do detalhe captado no teto de um palácio veneziano, transmutando-o em uma forma geométrica modular. Trata-se de plotagens em lona vinílica fixadas diretamente na parede recobrindo-a em toda sua extensão, e sobre a qual ele acopla “quadros” com variadas formas cúbicas. Esses cubos, também elaborados por meio digital, resultam de diferentes padrões repetitivos, alguns lembrando arabescos, outros formados por linhas de aspecto caligráfico, todos compondo formas volumétricas nas quais leveza e transparência se destacam, produzindo uma enigmática profundidade. Há neste conjunto o predominio de um caráter cenográfico barroco que, pelo jogo de vazados, somados aos detalhes decorativos, permite ao observador a percepção de uma nova espacialidade.


Alfredo, por sua vez, prossegue com a pesquisa de apropriação de imagens fotográficas, anteriormente vinculada ao processo analógico e, atualmente, relacionada ao processo digital. Sua busca de imagens está centrada em filmes em DVD da década de 40 e 50, de onde são capturadas com baixa resolução e transpostas para ampliação em papel fotográfico, sem nenhuma interferência direta do artista. Esses recortes resultam em cenas de sobre/justaposições, já existentes nos filmes e em trailers, mas que são imperceptíveis ao olhar menos atento ou desavisado, melhor dizendo ao de quase todos os assistentes. Tais imagens desviantes, distorcidas, alteradas, mas reais e concretas, provocam situações inusitadas de um estranhamento de significado surreal. São tempos que se unem, se tencionam, se chocam em situações limites, como a pertinente denominação dada pelo artista a esta série “No abismo de um sonho”, também apropriada do título da versão brasileira do primeiro filme de Fellini.


As obras desses dois artistas, com dominante força monocromática, um pela secção e apropriação de fotogramas, outro pela volumetria modular, impulsionam a uma percepção singular. E convergem com igual intensidade para um ponto de sintonia: motivar o olhar do observador para tempos e espaços diacrônicos no qual convivemos.

* Doutora em História da Arte Contemporânea pela Universidade de Paris I - Sourbonne.
Pesquisadora e curadora independente.
Alfredo Nicolaievisky
Porto Alegre, 1952. Vive e trabalha em Porto Alegre. Inicia seus estudos de desenho no atelier Livre da Prefeitura em 1967. Cursa a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e faz o mestrado e o doutorado no PPG-IA, na área de poéticas Visuais, todos na UFRGS, onde leciona na área de desenho do Instuto de Artes. Participa de mostras coletivas e salões no Brasil e exterior. Exposições recentes foram na Galeria Gestual; Porto Alegre e no Museu Leopoldo Gotuzzo; pelotas, ambas em 2005. Em 1999 publica o livro "Alfredo Nicolaiewisky - Desenhos e Pinturas", com textos de sua autoria e de Paulo Gomes, Blanca Brites, Icléia Cattani, Tadeu Chiarelli e Fernando Cocchiarale.

Mário Röhnelt
Pelotas, RS, em 1950. Foi integrante do grupo de desenhistas KVHR (Porto Alegre, 1977/1980) e participou do Espaço NO Centro Alternativo de Cultura (Porto Alegre, 1979/1982). Expõe individualmente desde 1982. Mostras recentes: plotagens no Centro Cultural São Paulo, São Paulo, SP, em 1998, pinturas e desenhos na Galeria Iberê Camargo, Usina do Gasômetro, Porto Alegre, RS, em 1999, instalação com plotagem e pinturas na Pinacoteca da FEEVALE, Novo Hamburgo, RS e fotografias na Galeria Gestual, Porto Alegre, RS, em 2002. Foi premiado com Aquisição no 13º e 15º Salão Nacional de Artes Plásticas da Funarte, Rio de Janeiro, RJ, em 1993 e 1995. Em 2005 participou d'O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Centro Cultural Itaú, São Paulo, SP. Vive e trabalha em Porto Alegre, RS.

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