EXPOSIÇÃO

Apropriações Contemporâneas

Nesta mostra, temos a satisfação de apresentar a obra de dois jovens mestres em Poéticas Visuais – FERNANDA BRAUNER SOARES e RICARDO PERUFO MELLO – que articulam suas produções baseados no princípio da apropriação de imagens. São artistas que estão plenamente inseridos nos processos contemporâneos de revitalização das imagens ao mesmo tempo em que se integram na tendência contemporânea de revalorização das técnicas artísticas.

Paulo Gomes, gerente artístico da Galeria Ecarta

Encerrou: em 13 de Julho
Local: Fundação ECARTA - Av. João Pessoa, 943 - Porto Alegre - RS - Fone (51) 4009.2970

Obs.: Nos sábados em que houver apresentação
do Ecarta Musical a exposição ficará aberta
das 10 às 14 horas.

NOTA PÚBLICA
Repúdio à sanção
do Governo para
extinção das
fundações estaduais

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O trabalho de Ricardo Mello no olhar de Maria Ivone dos Santos:

Em tempo: uma imagem

A pintura de Ricardo Mello nos emudece pelo encantamento que provoca, sentimento este exaltado pelo tempo lento, pela sobreposição de toques de cor das passagens de tons que o artista meticulosamente executou ocupando algumas centenas de horas de labor. Remontando o processo, observamos que Ricardo estabeleceu um conjunto exigente de regras de trabalho sem abdicar do prazer que lhe proporcionou a pintura como prática. Sua obra de fato é complexa sendo constituída pela transposição de uma cena escolhida do arquivo de fotografias realizadas pelo artista numa noite branca, e diante do banho de imagens de vídeos ao qual se submeteu. Podemos apresentar alguns de seus gestos: remexer os fundos de imagens-vídeo descartadas; visionar e fixar pela fotografia algumas cenas; arquivá-las e destacar e projetar uma para pintar. Pintar sim, mas seguindo uma ordem que vai ponto por ponto inserindo as cores diluídas, do magenta e amarelo até às cores mais frias. Não se utiliza nem do branco nem do preto, pois a primeira é a cor de seu suporte e o preto desbotado que vemos é obtido apenas pela saturação das demais.

Diante desta pintura somos convocados ao prazer de uma imagem que se impõe como experiência. A performance que este trabalho proporciona ao expectador é muito distinta da que teríamos diante da imagem-tempo do vídeo. Diante desta pintura o tempo se dilata - esta foi efetivamente a experiência do artista - dando-nos a possibilidade de ressentir a aura e a graça, em tempos de virtualidade, de velocidade e profusão de imagens. Este trabalho demarca uma atitude corajosa e política: o artista ao se deter na necessária meditação da natureza desta imagem, contribui para uma restauração da experiência do ver e do fazer. A pintura é salva das águas pela pintura e por um gesto paradigmático que pensa o vídeo e a fotografia, para remontar um tempo da imagem mediada pela mão do artista. Como numa partida de xadrez, aqui a mão move uma peça em direção a uma experiência estética das mais exigentes: parar e fazer cintilar a imagem na contemporaneidade.

O trabalho de Fernanda Brauner Soares no olhar de Maria Helena Bernardes:

Se meu livro puder fazer com que alguns homens saiam às ruas, escreveu André Breton, já estarei contente. Paisagens são raras na arte de hoje; ainda mais raras são as que nos dão vontade de cruzar a rua e mergulhar no parque, logo em frente à Galeria Ecarta, para experimentar no corpo a profusão de clareiras, troncos e ramadas, o ar verde e o sabor terroso das gravuras de Fernanda Soares, que acabamos de deixar para trás. Paisagens são raras, hoje em dia, mas as que imprimem em nossa pele uma sensação de mundo, isso é mais do que raro, é uma preciosidade.

Maria Helena Bernardes
Maio 2008


Detalhe da obra de Fernanda Brauner Soares
Divulgação Ecarta



Detalhe da obra de Ricardo Perufo Mello




   Apoio:

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