Galeria de Arte


CAMPO MAGNÉTICO

As obras escolhidas para esta exposição mostram um pequeno recorte da produção recente de Michel Zózimo, Romy Pocztaruk e Marina Camargo. São trabalhos (a maioria fotografia e vídeo) que, colocados lado a lado, parecem discutir, em um primeiro momento, a questão da imagem nos dias de hoje. Mas, um olhar atento logo perceberá que mais do que sobre a fotografia, Campo Magnético fala sobre uma atração inerente aos trabalhos – e talvez subjetiva para os artistas – por inventar histórias, simular situações ou narrar diferentes realidades. Trata-se de uma forma de absorver o mundo como o vemos – ou o mundo que nos narram cientificamente – e transformá-lo, pelos olhos do artista, em algo além daquilo que se vê. Campo Magnético fala sobre representação, imaginação e, por que não, fantasia. Os artistas trabalham com um universo que gira em torno das palavras: criação, invenção, simulação, simulacro, real, ficcional, artificial. Usam um vocabulário próximo, mas empregam as palavras de formas diferentes, para dizer coisas distintas. Ao mesmo tempo em que este polo os atrai, os diferentes usos que fazem do suporte fotográfico e da imagem tornam a obra de cada artista singular em sua poética e técnica.

Inauguração: 4 de julho de 2013, às 19h

Local: Galeria de Arte da Fundação Ecarta (Av. João Pessoa, 943 – Porto Alegre)

Visitação: De 05/07 a 28/07/2013, de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h

Visita guiada com os participantes sábado, 27 de julho de 2013, às 16h

Informações:
www.fundacaoecarta.org.br ou pelo (51) 4009.2970

Obs. A exposição foi selecionada no Edital de Exposições 2013 da Fundação Ecarta.


NOTA PÚBLICA
Repúdio à sanção
do Governo para
extinção das
fundações estaduais

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OS TRABALHOS

Na série Explorador, Michel Zózimo não assina a obra. O conjunto é apresentado e assinado com o nome de Explorador. A partir de uma coleção de fotografias de livros científicos e enciclopédias, Michel procura alguns padrões que se repetem neste tipo de imagem, usada como ilustração. No caso de Explorador temos sempre a presença de uma figura humana que aparece como aquele que descobre a paisagem, de costas para a foto e de frente para as montanhas, ou como escala, posando para as fotografias, para dar ao leitor/espectador a noção de tamanho da paisagem registrada. Na série Formações, as fotografias de pedras, também retiradas de livros científicos, transformam-se em objetos de exploração. Mais uma vez, interessa ao artista os padrões científicos, a escala, a perspectiva, e a possibilidade de criar narrativas a partir disso. O explorador transforma-se aqui em geólogo ou escavador de caverna. O artista apreende e reproduz estas fotografias, utilizando-as como o ponto de partida para a criação de uma ficção, uma narrativa inventada em cima de uma realidade científica. Michel se interessa pela ficção, pela invenção.

Romy Pocztaruk trabalha a fotografia como uma forma de olhar para o mundo cotidiano, de explorar como as imagens do mundo formam o nosso imaginário. Utiliza a fotografia como registro do real, mas ao escolher captar lugares que por si só possuem uma espécie de realidade simulada, como em RedSands, volta a nossa atenção para as questões que permeiam o debate entre o real e o virtual nos dias de hoje. O que é real e o que é simulação é uma pergunta constante quando olhamos para as fotografias de Romy. Na série Aparatos Naturais, a artista parte de fotografias de ambientes simulados em museus científicos (dioramas, simulações que recriam paisagens e habitats naturais de animais) para propor uma segunda simulação: uma montagem de ambientes absurdos, imagens falsas com índices de realidade. Romy se interessa pela possibilidade de questionar o que é real e o que é virtual, simulacro.

Marina Camargo utiliza a fotografia e o vídeo como meio de interferir na paisagem real. Diferentemente de Michel e Romy, ela fala em “criação de uma realidade” e não ficção, onde o que lhe interessa é como lidar com a representação de modo a provocar um deslocamento (mesmo que mínimo) na percepção de mundo. No vídeo Something, que também faz parte da série Cidade Sem Sombras, a artista usa o vídeo como forma de estender a fotografia no tempo, como forma de desdobrar a imagem no tempo silencioso das ações mínimas. O que lhe interessa, muito mais do que a imagem em movimento, é a possibilidade de criar uma observação prolongada da realidade, um movimento sutil, visível apenas se estivermos com os olhos atentos. Em Alpekprojekt, podemos dizer que a contemplação se transforma em ação. Marina assume uma postura mais ativa de reação a uma paisagem que pode ser paralisante por sua dimensão. Ao recortar a silhueta das montanhas, a artista cria uma forma de interferir na paisagem dos Alpes, como uma maneira de reagir àquele lugar.

Campo Magnético é, portanto, não apenas um campo de vetores – sejam eles pensamentos, poéticas ou práticas artísticas –, mas uma proposta de diálogo entre estes diferentes vocabulários naturalmente atraídos por um mesmo polo magnético. Um diálogo que se pretende real, mas que pode livremente tomar o caminho de uma narrativa fantástica. Para poder se perder nas ficções de Michel e Romy ou nas realidades de Marina, é igualmente preciso estar livre para explorar a imagem e o nosso imaginário. Para deixar-se levar pela imaginação. Um pouco como ler um conto de Jorge L. Borges ou Adolfo Bioy Casares.

Luísa Kiefer
Junho, 2013.

Inauguração da mostra
       

 


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